Em 2008 a prefeitura de São Paulo, durante a gestão de Gilberto Kassab, resolveu iniciar uma política de limpeza urbana, na qual os muros da cidade seriam pintados com a cor cinza de forma a apagar as intervenções neles realizadas. Artistas como Os Gêmeos, Nunca e Nina, que tiveram importantes obras destruídas pela iniciativa, se juntam para repintar um muro de 700 metros.

Saiba mais, a seguir.

A primeira tomada de “Cidade Cinza” nos apresenta o mar de edifícios de São Paulo. Os Gêmeos, talvez os grafiteiros mais famosos do país, falam sobre o caos da cidade e sua verticalização, colocando as paredes grafitadas como uma vitória contra o concreto. O ponto de vista do documentário se torna claro: a cidade é feita para as pessoas e não para seus políticos, manifestações de arte urbana deveriam ser vistas como uma solução e não como um problema na paisagem da cidade.

Assim, o documentário transita entre os mundos de arte e cultura versus o que seria considerado vandalismo. É neste campo que surge a maior virtude do filme, a discussão sobre a noção de arte e como estas intervenções urbanas se inserem (ou não) neste delicado campo.